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A Santíssima e Vera Cruz de Caravaca é uma das mais importantes relíquias cristãs. Consiste num fragmento da madeira da cruz em que Cristo morreu. O seu nome oficial nos documentos da Igreja é "Vera Cruz", para diferenciá-la das muitas falsificações que já foram forjadas. Esse fragmento do Santo Lenho está desde o século XIII na cidade de Caravaca (na província de Múrcia, no sudeste da Espanha).

O Santuário que guarda a relíquia, em sua forma actual, teve a sua construção iniciada em 1617, por ordem do rei Felipe li, dentro dos muros da antigo castelo da cidade, construído no tempo da dominação árabe (século XII); o castelo ficou abandonado quase totalmente após a expulsão dos mouros, com excepção da Real Capela da Vera Cruz, mas foi recuperado para tornar-se o grande Santuário da Vera Cruz.

A Igreja foi inaugurada em 1703, mas a obra só terminou em 1722. O Santuário é um belo exemplo de arquitectura barroca; conta com uma ampla nave para as cerimónias públicas, um museu sacro onde podem ser vistos os paramentos usados nas festas em homenagem à Cruz, e a Capela da Aparição onde a relíquia é guardada.

A relíquia é conservada dentro de um relicário que mudou de aspecto várias vezes ao longo dos séculos. O primeiro de que se tem notícia exacta data do século XIII. Nessa época, o fragmento do Santo Lenho foi revestido com uma placa de prata dourada; assim protegido, era guardado em uma caixa de prata, a qual era posta dentro de um cofre de marfim, disposto dentro de um tabernáculo.

Em 1660, o Conselho da cidade de Caravaca mandou fazer um relicário de ouro; em 1711, o duque de Montalto doou ao santuário uma urna de ouro, adornada com pedras preciosas, e com várias aberturas que permitiam tocar directamente o Santo Lenho. Em 1777, o duque de Alba mandou fazer um relicário de ouro e pedrarias na forma que é conhecida hoje como a "Cruz de Caravaca". Esse relicário é conservado dentro de uma arca de ouro, doada no século XIV pelo grão-mestre da Ordem religiosa que custodiava a relíquia na época.

O relicário da Cruz caracteriza-se por ter dois braços horizontais, um com 7 e outro com 10 cm, e um braço vertical com 17 cm de extensão. Os braços são totalmente contornados por um fino adorno de ouro, incrustado com topázios e rubis, que distingue a Cruz de Caravaca de outras cruzes com o mesmo formato.

A face frontal dos braços é feita com cristal de rocha, para que o Lignum Crucis possa ser visto em seu interior.

No topo da Cruz é visto o dístico INRI (do latim Jesus Nazarenus Rex ludeorum, ou seja, Jesus de Nazaré Rei dos judeus).

No ponto de cruzamento do braço vertical com o braço horizontal superior há uma Coroa de Espinhos adornada com um diamante; no ponto de cruzamento do braço inferior está o dístico IHS (do gregolesous Chirstos, monograma do nome de Jesus desde o século 11 1) entrelaçado com o monograma MV (do latim Maria Virgo, Virgem Maria), encimado pela cruz da Paixão.

Na metade da extensão da parte inferior do braço vertical, há uma réplica do apoio para os pés, que serve de engaste para um diamante.

Na extremidade inferior estão as letras gregas alfa e ómega entrelaçadas (denominação de Deus: o princípio e o fim).

Quando está dentro da arqueia, o relicário apoia-se pelo braço horizontal inferior em dois anjos com as mãos elevadas, em gesto de sustentar e transportar a Cruz.

A relíquia propriamente dita não tem essa forma: o fragmento de madeira está engastado em um invólucro de prata dourada, que tem o feitio de uma cruz simples, com um só braço horizontal, sem adornos.

Essa pequena Cruz fica disposta, dentro do relicário, com seu braço horizontal correspondendo ao braço superior da cruz maior; sua extremidade inferior atinge o monograma central do relicário.

Para perceber todo o significado dessa relíquia, é essencial que se compreenda aquilo que a Cruz de Caravaca "não é".

Ela não é um ídolo, um objecto com valor de culto em si mesmo: seu valor reside na fé na morte salvadora de Cristo que ela nos relembra.

Ela também não é uma superstição, pois não é considerada capaz de causar mal ou bem ao sabor da realização de práticas inventadas por indivíduos. Não é magia, pois não contém forças sobrenaturais a serem manipuladas através de fórmulas fantasiosas ou de rituais mágicos.

Não é um amuleto, um fetiche ou um talismã que proteja ou que dê poderes especiais ao seu portador.

Não é um símbolo esotérico; não representa um "Cristo Cósmico" diferente do Jesus de Nazaré, e a peregrinação à Cruz não é um caminho iniciático de uma sabedoria oculta estranha ao cristianismo.

Por outro lado, não é apenas um símbolo cultural, com o valor exclusivamente histórico e folclórico que tanto agrada ao turismo superficial. O que importa na relíquia não é o formato externo da Cruz, que é apenas o recipiente; mas o seu conteúdo, o Santo Lenho, que encerra em si todo o significado da mensagem e da acção terrena de Cristo.

Qualquer reprodução dessa Cruz terá somente o valor de trazer à lembrança a original Vera Cruz; e toda oração a ela dirigida deverá ter a intenção de venerar o Lignum Crucis como símbolo do sacrifício do Redentor.

É costume que os peregrinos de Caravaca recebam uma réplica da Cruz, feita em prata; cópias correctas dela podem ser encontradas em muitas lojas sérias de artigos religiosos.

Em Caravaca, dar de presente uma réplica da Vera Cruz simboliza afecto e o desejo de paz e amor entre as pessoas.

Segundo a tradição, o fragmento original que constituiu essa relíquia, preservado de alguma forma na Cidade Santa, passou a pertencer, no século XI, ao Patriarca Roberto, o primeiro Bispo de Jerusalém após a conquista da cidade pela

Primeira Cruzada, em 1099. Provavelmente, essa relíquia tinha o formato de uma cruz, feita com fragmentos da Santa Cruz engastados em uma base de prata.

Supõe-se que, cerca de cento e trinta anos depois, durante a realização da Sexta Cruzada, um sucessor do Patriarca Roberto tenha levado a relíquia para a cidade de Caravaca; entretanto, a tradição local atribui à presença da relíquia uma origem miraculosa, cuja narrativa mais antiga foi feita pelo historiador murciano Robles Corbalán, em 1619.

Por mais de dois séculos, a região de Múrcia constituiu a fronteira em guerra entre o reino cristão de Castela Leão e o reino muçulmano de Granada.

Entre 1230 e 1231, o Saíd Abu-Zeit de Valência conquistou Caravaca; entre os prisioneiros feitos na ocasião havia um missionário, o padre Ginés Pérez Chirinos.

Quando, algum tempo depois, o Saíd indagou a respeito das profissões dos prisioneiros, o padre respondeu que seu ofício era dizer missas.

Curioso, o Saíd quis assistir ao culto religioso e mandou que tudo fosse disposto no salão do castelo para isso.

Logo no início, entretanto, o padre disse que não poderia celebrar a missa, por faltar uma cruz no altar.

Nesse momento, dois anjos entraram pela janela do salão, levando um Lignum Crucis que depositaram no altar, para que a missa pudesse continuar.

O facto deu-se no dia 3 de Maio de 1231 (ou 1232, segundo algumas fontes); desde essa data, a relíquia permaneceu no Castelo de Caravaca. Mais tarde foi verificado que ela era a mesma Cruz que pertencera ao Patriarca Roberto de Jerusalém.

A presença da Cruz na região deu grande impulso à conquista dos territórios muçulmanos pelos reinos cristãos. Imediatamente correu a notícia de que, diante da Aparição, o Saíd de Valência convertera-se ao cristianismo, juntamente com toda a sua corte, o que foi encarado como uma vitória dós exércitos cristãos.

Alguns anos depois, a morte de importantes chefes mouros enfraqueceu o poderio dos reinos muçulmanos locais, que se viram forçados a estabelecer acordos com os reinos cristãos para fazerem frente às lutas com outros chefes mouros; isso facilitou a incorporação de Caravaca ao reino de Castela, efectivada por Fernando III em 1243.

Logo em seguida, o rei entregou a cidade à Ordem dos Cavaleiros do Templo, que assumiu a custódia da relíquia. Em 1344, com o fim da Ordem do Templo, o rei Afonso XI entregou Caravaca aos Cavaleiros da Ordem de Santiago, que aí permaneceram até a extinção pela Igreja de todas as Ordens Militares, em1868.

A continuação das lutas entre mouros e cristãos na Espanha, durante os séculos XIII e XIV, fez crescer a importância e a fama da Cruz, à qual foram atribuídos muitos milagres.

De início protegendo a terra cristã contra os "infiéis", logo a relíquia passou a proteger os habitantes locais de todos os perigos, fossem eles causados por agentes humanos ou naturais.

Os Templários cedo estabeleceram na fortaleza da cidade, junto à Igreja de Santa Maria dos Anjos, onde ficava a relíquia, uma hospedaria para receber os ex-cativos dos mouros que vinham à cidade agradecer à Santa Cruz sua libertação; assim se iniciou o costume da peregrinação à Cruz de Caravaca.

Graças aos peregrinos, aos missionários e aos soldados em movimento, a fama da relíquia estendeu-se rapidamente por toda a Península Ibérica.

Com o estabelecimento definitivo da monarquia católica na região, diversas ordens religiosas vieram instalar-se no importante centro de devoção. São João da Cruz e Santa Teresa de Jesus, dois dos maiores místicos da Igreja, aí fundaram conventos Carmelitas, aos quais vieram fazer companhia Jesuítas, Clarissas, Franciscanos, Jerónimos e outros.

Com o tempo, a devoção à Cruz de Caravaca tornou-se conhecida em toda a Europa e na América hispânica.

A Vera Cruz de Caravaca também contou com o reconhecimento oficial da Igreja.

Desde o século XIV, diversas bulas e decretos Papais concederam indulgências aos peregrinos de Caravaca.

Em 1736, foi dado ao culto da Vera Cruz o status de Latria (do grego latreia, adoração), o que o equipara em importância ao culto do Santíssimo Sacramento. Em 1583, 1621, 1768 1893 foram concedidos Jubileus para as festas da Cruz de Caravaca: foi determinado que receberia Indulgência Plenária todo aquele que visitasse o Santuário no dia 3 de Maio desses anos e aí rezasse pela paz.

No século XX foram concedidos dois jubileus, que provocaram grande revitalização das peregrinações a Caravaca: o primeiro foi em 1981, ao se comemorarem os 750 anos da Aparição da Cruz; o segundo foi em1996, a pedido da Real e Ilustre Confraria da Santíssima e Vera Cruz.

Desde o início do século XIX, a relíquia da Vera Cruz de Caravaca passou por muitas vicissitudes.

A primeira foi a necessidade de sua transferência para a paróquia do Salvador, onde permaneceu escondida durante a invasão francesa (de 1809 1818), enquanto o Castelo de Caravaca voltava a ter uso militar.

O pior acontecimento, entretanto, foi o roubo da relíquia na quarta-feira de Cinzas do ano de 1934; apesar de todos os esforços, a Cruz não foi mais encontrada, tendo restado somente o tabernáculo vazio. Perdeu-se assim a razão de ser do centro religioso.

Depois da guerra civil espanhola (1936-1939), com estabelecimento da ditadura fascista de Franco, o castelo foi usado como cadeia para presos políticos até 1941, quando foi fechado e abandonado.

No entanto, a população e toda a cidade desejava ardentemente voltar a ter sua grande relíquia.

O movimento chegou a assumir tais dimensões que, em 1941 ou 1942, o papa Pio XII doou à cidade dois pequenos fragmentos do Lignum Crucis que Santa Helena (mãe do Imperador Constantino) trouxera de Jerusalém para Roma na primeira metade do século IV; com eles foi refeita a relíquia da Vera Cruz de Caravaca, tendo sido feito um novo relicário que é uma cópia quase exacta daquele doado pelo duque de Alba no século XVIII.

Em meio a grandes comemorações populares que duraram vários anos, o Santuário foi restaurado, enquanto a relíquia permanecia na paróquia do Salvador, na mesma cidade.

Finalmente, em de Maio de 1945, a Cruz retornou ao Castelo; desde então, o Santuário da Vera Cruz ficou sob a responsabilidade dos padres Claretianos.

No Ano jubilar de 1996, foi reinaugurada a Capela da Vera Cruz, recuperando-se assim a tradição secular que dá à Cruz de Caravaca sua Capela da Aparição, onde ela fica permanentemente guardada.

Essa pequena capela, ao lado da nave principal do Santuário, é aberta somente em ocasiões especiais, como nos dias de festa, ou a pedido especial de pessoas que desejem contemplar a relíquia.

São realizadas anualmente em Caravaca duas grandes festas em homenagem à Santíssima e Vera Cruz: oQuinário de Exaltação e a Festa da Aparição.

Os grupos responsáveis por sua organização são dois: um é a Real e Ilustre Confraria da Santíssima e Vera Cruz de Caravaca, associação de cunho religioso criada na cidade em 1907 e organizadora da parte religiosa das festas, como as procissões e as orações colectivas de adoração à Santa Cruz; o outro grupo é a Soberana Ordem do Templo, que nada tem a ver com a antiga Ordem Militar dos Templários, mas é simplesmente uma associação de festeiros da cidade, organizadora da parte profana das festas, como os desfiles e os combates entre mouros e cristãos.

 

 

Quinário de Exaltação

O dia 14 de Setembro é a data da Exaltação da Santíssima e Vera Cruz para toda a Igreja Católica Romana e para outras Igrejas cristãs, como a Ortodoxa, a Arménia e a Anglicana.

Essa festa data do século IV da Era Cristã, quando o Imperador Constantino, protector e simpatizante do cristianismo, mudou a capital do império romano para Bizâncio.

A mãe do imperador, Santa Helena, fez então uma peregrinação à Terra Santa, com o objectivo de localizar os lugares sagrados da religião. Tendo identificado os sítios considerados pela tradição local como sendo os da crucifixão e do sepulcro de Cristo,

Santa Helena mandou construir aí a Igreja do Santo Sepulcro.

Como a consagração da igreja foi feita no dia 14 de Setembro de 335, este dia ficou sendo a data anual de comemoração da Exaltação da Santa Cruz como símbolo da vitória de Cristo sobre a morte.

Em Caravaca, são realizadas festividades desde o dia 10 até o dia 14, todas elas no Castelo-Santuário.

A cada dia, são celebradas duas missas solenes: uma às 8 horas 30 minutos, oficiada pelo Capelão do Santuário, e outra às 20 horas, oficiada por um sacerdote convidado para a ocasião. Em todas as missas, a homilia aborda temas relacionados com a Cruz.

No dia 14 ocorrem as maiores solenidades, a começar por uma alvorada festiva executada com repiques de sinos.

Além da missa das 8 horas 30 minutos, celebra-se uma grande missa solene às 12 horas, especialmente dedicada aos enfermos e inválidos que vão ao Santuário.

Após o final dessa missa, a relíquia permanece exposta em sua Capela, acompanhada por muitos fiéis que realizam os tradicionais "turnos de adoração".

Às 19 horas é realizada a última missa das comemorações, a mais solene, na qual são entregues Cruzes (réplicas do relicário) a novos membros da Confraria da Santíssima e Vera Cruz de Caravaca.

Depois da missa, a Relíquia é levada em procissão solene, saindo do Santuário e contornando externamente as muralhas do Castelo.

Ao entrar novamente no pátio de armas, é executado o rito tradicional de "bênção dos campos e da população", com a Cruz sendo apresentada pelo Capelão do Santuário nos quatro pontos cardeais das muralhas.

A seguir, a Cruz é devolvida ao seu escrínio na Capela, sob a luz de fogos de artifício, e as festas são encerradas com o vinho oferecido aos presentes pelo Superior da Confraria.

Festa da Aparição

O nome oficial desta comemoração é "Festa da Cruz de Mouros, Cristãos e Cavalos do Vinho".

É celebrada entre os dias 1 e 5 de Maio, comemorando o aniversário da aparição do Lignum Crucis em Caravaca.

É uma importantíssima festa de peregrinação, associada desde o século XIV à obtenção do jubileu.

Consiste em onze rituais religiosos, quase todos realizados pelo Capelão e envolvendo directamente a Vera Cruz.

No dia 1º de Maio é feita uma "Oferenda de Flores" à Cruz na esplanada do Castelo, com entrega de Cruzes a novos membros da Confraria.

No dia 2 de Maio, após a "Missa da Aparição" na Capela do Banho (onde fica o tanque com água a ser benta durante as festas), é feito o "Desfile dos Cavalos do Vinho" que, ricamente adornados com mantas e fitas coloridas, e precedidos por Mouros e Cristãos, vão até a praça diante do Castelo.

Esse ritual relembra um episódio das guerras com os mouros. Diz a tradição que, durante um dos cercos sofridos pela cidade, acabou-se a água dos reservatórios.

Então, um grupo de cavaleiros, em cavalos carregados com odres, saiu da fortaleza e rompeu o cerco, indo em busca de água.

Não a acharam, mas encontraram grandes depósitos de vinho.

Enchendo os odres, voltaram e conseguiram novamente romper o cerco. Para comemorar o feito, entraram na cidade festivamente, tendo coberto os cavalos com suas capas enfeitadas.

Ainda na manhã do dia 2, é realizado no Santuário do Castelo o "Banho de Vinho e Flores", que é o primeiro banho da Cruz; esse ritual relembra as antigas festividades agrícolas de consagração da primavera, com a bênção do vinho da safra anterior e das flores da nova estação.

Na tarde desse mesmo dia é realizada a "Procissão da Baixada da Cruz", na qual a relíquia é retirada da sua Capela e levada, com o acompanhamento de Mouros e Cristãos, para a paróquia do Salvador.

O dia 3 de Maio, aniversário da Aparição, começa com uma "Missa Solene" na paróquia do Salvador.

À tarde, a "Procissão do Lavatório" leva a Cruz, com acompanhamento de Mouros e Cristãos, da paróquia do Salvador para a Capela do Banho.

Na praça diante da Capela é realizado o "Combate entre Mouros e Cristãos".

A seguir, é realizado o ritual do "Banho da Cruz" no tanque da Capela, acompanhado pela bênção das águas.

Este é o ritual mais importante e mais antigo de todos, tendo sido criado em 1384. Contam os historiadores que, nesse ano, houve uma grande praga de gafanhotos na região de Múrcia, que resistia a todos os tratamentos comuns. Foram então enviados representantes das cidades e vilas a Caravaca, pedindo ao vigário que banhasse a Santa Cruz em uma porção de água que eles levariam para aspergir as terras castigadas.

Feito isso, os gafanhotos desapareceram em três dias.

A partir daí estabeleceu-se o costume de banhar a Cruz em uma porção de água, da qual depois os fiéis recolhem porções que levam para aspergir suas propriedades e plantações, para as preservar de pragas e torná-las mais férteis e produtivas.

Nos dias 4 e 5, pela manhã, a relíquia cumpre o ritual da "Cruz dos Inválidos", percorrendo em procissão todos os bairros da cidade, visitando as casas dos doentes e dos inválidos.

Na tarde do dia 5 é realizado o último ritual, que consiste na "Procissão de Subida", que leva a Cruz de volta para o seu Santuário, com a bênção dos campos e da natureza semelhante à realizada em Setembro.

Todas essas solenidades são realizadas em meio a grande alegria, com muitos fogos de artifício, música, bailes e desfiles de que participa toda a cidade.

Modo de Usar a Citada Cruz

Deve-se levá-la junto ao corpo. Colocar-se-á em quadro ou nas portas dos quartos ou outro qualquer local da casa. Em caso de enfermidade, pode-se pôr na parte enferma do corpo. Beijando-a, ganham-se muitíssimas indulgências.

Em todas as ocasiões em que se deve fazer uso da citada cruz, rezam-se cinco Glórias ao Pai, a Paixão de Jesus Cristo e três Avé Marias à Virgem Santíssima e um Pai Nosso a São Benito, cujas preces se aconselha mais abundantemente o fruto desta devoção.

Isto se tirou do Livro II da vida de São Benito, escrito por São Gregório, Papa e Doutor.

E dizendo cada dia, diante da mencionada cruz, a seguinte oração de São Benito, revelou este Santo a Santa Gertrudes que assistira à hora da morte, para se opor poderosamente a todos os ataques e poder infernal do inimigo, do devoto que a houvesse rezado diariamente.

E Clemente XIV concedeu indulgência plenária ao que cada vez a rezou.

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